O Amor

Vivi até há pouco tempo a pensar que sabia descrever o amor. Fazia-o tão bem e de uma forma tão detalhada, que, só agora, tomei conhecimento que aquilo que estava a descrever eram simplesmente emoções.

Poderá haver alguém que o consiga descrever, talvez, mas eu, não consigo e, a bem da verdade, ainda bem. O amor, essa palavra que se tornou tão banalizada, que é expressada por tudo e por nada, é algo muito para além de nós, é um estado.
Os estados estão para além de uma dimensão pessoal, é um todo que se sente e não se descreve.

Se analisarmos, o amor não tem oposto. Alguém consegue encontrar o oposto de amor? Simplesmente não existe.
Confundimos amor com determinadas emoções, por norma de felicidade, de alegria, mas todas as emoções têm o oposto, contrariamente ao Amor.

O amor-próprio, por exemplo, vai sempre além de nós, vai para um estado de harmonia, de paz. Podemos dizer, mas isso não são apenas sentimentos?
Deixam de o ser quando passam a um estado constante porque pressupõe a inexistência de oposto.

O amor

Se analisarmos da seguinte forma: emoção leva a um sentimento, que por sua vez leva a uma parte afectiva produzida por causas, alegres ou dolorosas.
Se o sentimento tem oposto, por exemplo, desafeição, então, não é um estado, ele pode ser passageiro. O amor, não aquele que se expressa de uma forma banal, jamais será passageiro, perdura no tempo, sejam qual forem as circunstâncias, pois não está premiável ao oposto.

O que sentimos por um filho é passageiro? Hoje gostamos e amanhã já não?
É esse sentimento que falo, algo que não tem oposto. Mesmo naqueles casos mais sensíveis, em que pais e filhos, por algum motivo não comunicam, jamais deixará de ser amor.

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