A Meio do Equilíbrio

Chegamos a um ponto da vida em que o nosso discurso interno começa a incomodar, tal é a intensidade, tal é o impacto que tem na nossa vida, nas nossas acções e principalmente, não acções.
Esse discurso interno tem sempre um fundamento, as crenças e os valores começam a criar um eco, muitas vezes, paralisante.

Já pensaste que esse discurso é de extremos? Já pensaste porque te incomoda?
Porque chegamos a uma altura da vida em que o meio começa a ganhar força, ainda que inconscientemente.
Dizem que a meia-idade é quando nos apercebermos que metade da vida já passou e aí vêm muitas questões e, com essas questões uma possível crise, que advém de muitas incertezas, em que passamos da incompetência inconsciente para a incompetência consciente.

Encaro a meia idade como o aprender a viver no meio, em equilíbrio com o nosso ecossistema, deixando os extremos e a procura incessante do Eu fora de mim, é simplesmente o olhar para Eu enquanto pessoa de uma forma tranquila.
Simplesmente, antes de chegarmos a esse meio e à paz, à tranquilidade e harmonia, vem o desconforto. O desconforto porque aquilo que sonhámos e não realizámos, o que sonhámos enquanto crianças, adolescentes, jovens. O desconforto da incerteza do futuro, das transformações físicas, de sabermos que estamos no meio, entre os nossos filhos que começam a ganhar espaço e os nossos pais que mais cedo ou mais tarde começam a perder autonomia.
Deixamos de ter paciência para meias pessoas, para meias conversas, porque, acima de tudo queremos estar no meio, totalmente plenos e quando esse meio é ocupado por superficialidade afastamos quem nos possa roubar espaço e equilíbrio.

Agora, chegou a idade da tranquilidade, da calma, da sabedoria, a idade do Eu sou para Ser, substituindo o Eu sou para ter….

Maturidade

Há ainda suficiente capacidade de força e investimento na vida para que se possam operar reestruturações. Encara isto como um novo paradigma, numa postura de compreensão dos desafios que esta fase de vida vem colocar e que podem conter a promessa de novos investimentos e realizações nos muitos anos de vida ainda disponíveis.
A maturidade chega para trazer a felicidade. Vem a paciência, o controle das emoções, a consciência de que o importante é viver bem a vida. Vem também a sabedoria de que a vida nem sempre é da maneira que nós queremos.
É aqui que a velocidade das conquistas externas deve diminuir, dando lugar à conquista interna.

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