O Ciclo da Indecisão – O Medo

Aquilo que nos permite atravessar uma estrada em segurança é exatamente a mesma coisa que nos bloqueia e não nos permite avançar em muitas áreas da nossa vida. O medo!

 

A necessidade de sermos perfeitos e a necessidade de controlarmos os resultados dos acontecimentos trabalham unidas para nos manterem petrificados quando pensamos fazer uma mudança ou tentar um novo desafio.

 

Não sou capaz! Não posso! Devia! É um problema! Vou esperar! Se ao menos…!

 

Tenho medo de não ser capaz, por isso, não posso arriscar. No entanto, sei que devia, mas no fundo não quero. Então, começo a criar um problema, com o qual me identifico e com o tempo, passa a fazer parte da minha identidade. Se ao menos tivessem reunidas as condições para poder avançar. Pode ser que venha a ter (convenço-me disto). Essas condições vão chegar e por isso, vou esperar pela melhor altura.

 

O constante alarmismo, a angústia, a ansiedade, a apreensão a hesitação são as formas mais comuns do medo projectado.

 

O medo de sentir uma dor com a qual não irei conseguir lidar impede-me de arriscar, de assumir compromissos, de me comprometer comigo próprio. O medo é uma pescada de rabo na boca, cria um ciclo de resultados semelhantes e previsíveis ao longo da nossa vida.

 

Quando decidimos avançar e se olharmos para o resultado de uma situação como podendo tomar uma só direcção, aumentamos a probabilidade de perdermos outras oportunidades.

 

Independentemente do que me aconteça, eu consigo lidar com essa situação.

 

O nosso caminho daqui até onde queremos estar começa com um erro, que corrigimos e se transforma no erro seguinte, que corrigimos e se transforma no erro seguinte, que corrigimos.

 

Há muitas pistas internas que nos ajudam a perceber qual o momento certo para proceder á correcção. As duas mais óbvias são a insatisfação e a confusão.

 

A dor que sentimos pode ser uma bênção, na medida em que nos diz que há algo de errado na forma como a vida se desenrola. É um sinal de que algo necessita de correcção, seja na forma como vês o mundo ou o que fazes no mundo. Esta dor está simplesmente a dizer-te, “Ei…não é isso e também não é isso!”

 

Investimos tanto em tomar a “decisão correcta”. Mesmo quando nos apercebemos que não gostamos do caminho escolhido, mantemo-lo para o resto da vida. Ficamos presos a situações pouco satisfatórias que deixaram de fazer sentido porque investimos demasiado e seria uma vergonha não continuarmos.

 

Que quando a verdade chegue, que a saibamos aceitar. Nunca deixemos de ser quem somos para caber em verdades que não são nossas.

 

Sejamos suficientemente disciplinados para não fazermos o que não queremos fazer, mesmo quando toda a gente à nossa volta diz que devíamos.

 

Não te esqueças que a tua condição não depende daquilo tens, daquilo que fazes ou dos elogios que ouves. Que faças o que fazes, não para agradar, mas porque verdadeiramente queres fazer.

 

Fica atento ao teu email amanhã, não te vais arrepender.

 

Quando fazes por ti, quando és para ti, o medo torna-se teu aliado.

 

Fábio Costa

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