O Ciclo da Indecisão – Escape Emocional

 

Aquilo que não tratei em mim, acabou por tratar de mim.

 

Há algo com o qual temos de viver ao longo da nossa vida, as nossas emoções.

 

Durante muito tempo não conhecia as minhas emoções, limitava a colocar-lhe duas etiquetas, emoções boas e emoções más. Por isso, não tinha grande certeza acerca dos meus sentimentos. Esse aspecto levou-me, numa determinada altura a perder o controlo da minha vida emocional, agindo com insegurança na tomada de decisões.

 

Travava uma luta constante contra uma sensação de angústia, o que me levava a demorar imenso tempo a recuperar de situações e problemas que me surgiam na vida.

 

Essas emoções que vinham de forma intensa, e que minavam e que permaneciam por largos períodos de tempo, roubavam a minha estabilidade e consequentemente, o meu equilíbrio. Durante esse tempo, sentia que não conseguia usar o meu raciocínio lógico, falta de confiança, de valor por mim próprio, vitimizava-me e ficava sem auto-estima.

 

Percebi mais tarde, que o coração tem uma contabilidade própria, um saldo proporcional entre emoções agradáveis e desagradáveis. É essa proporção que nos dá uma sensação de bem-estar.

 

Essa contabilidade do coração, é influenciada pelas 3 formas como lidamos com as emoções: Através da repressão/supressão; Através da exteriorização e através do escapismo.

 

Reprimi-a as minhas emoções através do escapismo. Nunca pensei como isso poderia ter as consequências que teve. O escapismo leva-nos a desviar a atenção quando a emoção desaparece e fica apenas o sentimento, ou seja, o sentimento é a interpretação da emoção.

 

Usamos a mais diversas abordagens para escaparmos desses sentimentos. Compras, viagens, comida, cinema, relacionamentos rápidos… Apenas para dar alguns exemplos.

 

Quando escapamos ás emoções através de estímulos externos que nos provoquem uma mudança rápida de estado, os nossos sentimentos tornam-se automáticos, repetitivos e viciados.

 

Ao optarmos por fazer isso – ainda que de forma inconsciente – não estamos a tratar a emoção, estamos sim a guardá-la em nós, para que num momento futuro ela volte a aparecer.

 

Numa determinada situação, mais ou menos semelhante, ela voltará e trará os mesmos sentimentos. Essas emoções ficam guardadas e formam memórias.

 

Já reparaste que as tuas memórias mais vivas, são aquelas que têm uma grande carga emocional associada?

 

Não podemos escolher as emoções, mas temos a capacidade de escolher a forma como nos vamos sentir. Quando não o fazemos, quando não estamos conscientes da forma como tratamos as nossas emoções, tornamo-nos reativos e ficamos à mercê das situações. Perdemos o controlo.

 

Começamos a ver as coisas à nossa volta como experiências que não controlamos, que nos deixam controlar. Resultados que não conseguimos atingir. Decisões que não conseguimos tomar com medo de falhar e daquilo que vamos sentir ao lidar com essa falha. Relações dependentes que estagnam o nosso crescimento. Dificuldade em dizer não por falta de confiança na altura de defender o nosso ponto de vista.

 

Quando não desenvolvemos a nossa inteligência emocional, vivemos de mãos dadas com a  frustração, desilusão, raiva, desadequação, desapontamento, medo, rejeição, tristeza como estados finais dos quais não temos qualquer controlo.

 

Quando tens clareza e intencionalidade, começas a definir as bases que queres para a tua vida, a forma como te queres sentir e influencias os resultados que queres obter.

 

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